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Vamos falar sobre sexualidade?

Veja como o desenvolvimento da sexualidade se manifesta no corpo e no comportamento das crianças, de acordo com a faixa etária

 

Ao contrário do que se pensa (e do que a própria palavra sugere), nem sempre a sexualidade está ligada ao sexo. Ela tem mais a ver com a descoberta do próprio corpo e com a possibilidade de encontrar prazer com ele. Sigmund Freud foi o primeiro a se debruçar sobre essa questão. Sua teoria, que trata a sexualidade como parte do processo de estruturação psíquica, ainda é a principal referência na área.

 

Diferentemente do que se imagina, o despertar da sexualidade ocorre muito antes do crescimento dos seios, do surgimento dos pelos pubianos ou da simples descoberta dos órgãos genitais: é um processo que se desenvolve continuamente durante a infância, desde que seu filho é um bebezinho, e atinge seu ápice durante a adolescência. Veja como acontece:

 

O primeiro ano
Muito antes de completar um ano de vida, o bebê já teve a oportunidade de encontrar sensações agradáveis, como no momento da amamentação. “É a partir do corpo e da relação com o outro que o bebê tem a possibilidade de sentir prazer e desprazer”, explica a psicóloga Angelita Wisnieski da Silva, do Hospital Pequeno Príncipe (PR). Prova disso é que seu bebê, do sexo masculino, pode ter uma ereção no momento da troca de fralda e as bebês do sexo feminino também podem ficar lubrificadas – ainda que seja mais difícil de notar. Esse início do processo de desenvolvimento da sexualidade condiz com a chamada fase oral: período em que o bebê tem a necessidade de levar tudo à boca para sentir e explorar melhor.

 

De 2 a 4 anos

Entre o segundo e o terceiro ano de vida, a criança realiza uma conquista importante: o controle dos esfíncteres. Livra-se das fraldas e começa a usar o banheiro sozinha. Saber que ela tem esse “poder”, de controlar a saída de fezes e urina também é um motivo de prazer. Nessa fase, sobretudo a partir dos 3 anos, a criança começa a explorar o mundo e o próprio corpo. Não é raro encontrar seu filho entretido com o próprio pênis ou sua filha examinando interessadíssima sua vagina. Embora, a princípio, a cena possa parecer chocante para os pais, é importante saber que nessa etapa a criança ainda não tem malícia. “É essencial para a criança conhecer seu corpo e manipular sua genitália. Isso faz parte do desenvolvimento humano. Sem discriminar ou punir, os pais precisam dizer que isso é saudável, mas que deve ficar na intimidade”, esclarece a psicóloga e psicopedagoga Melina Blanco, do Hospital Albert Einstein (SP). Explique para a criança que não é o tipo de coisa a se fazer em público, mas que quando ela estiver sozinha, no quarto ou no banheiro, tudo bem.

Por volta dos 4 anos, têm início os chamados “jogos sexuais”, que costumam não passar de pura observação e exibição das partes íntimas junto aos coleguinhas, bem ao estilo “eu mostro o meu e você mostra o seu”. E isso é perfeitamente normal porque a criança ainda não tem inibição. Pode reparar que seu filho não vê problemas em andar pelado pela casa ou em arrancar a roupa em lugares públicos...

 

De 5 a 6 anos

Agora seu filho já sabe que o menino tem pênis e a menina tem vagina e começa a enxergar diferenças entre os sexos. Também aprende que manipular sua genitália dá prazer – ainda que não consiga entender bem o motivo. É nessa fase que a criança começa a imitar o comportamento dos adultos: sua filha pode falar que quer casar, mas não tem ideia do que isso realmente significa, além de usar um lindo vestido de noiva. A partir dos 6 anos, surge o pudor. Sua filha pode ficar incomodada se perceber que sua calcinha está aparecendo e seu menino pode querer que você já não o veja mais pelado no banho. Isso significa que a criança está consolidando o conceito do que é público e do que é privado: e por isso, pode começar a reivindicar sua intimidade. Provavelmente você vai perceber essa mudança de atitude.

 

A partir dos 7 anos

A criança entende melhor o que é o sexo e já está mais familiarizada com esse universo da sexualidade. As ereções podem se tornar mais frequentes nos meninos, inclusive durante o dia. Seu filho já está ciente das diferenças entre homem e mulher, entende mais ou menos como são feitos os bebês e tem uma noção – ainda não muito clara - do que é sexo. Pode ser que, junto a seus pares, as crianças façam brincadeiras excitantes, mesmo dentro de grupo unissex.

Apesar disso, é só entre os 9 e os 10 anos que elas adquirem uma consciência mais concreta sobre o ato sexual em si. Logo, com o início da puberdade, começam a vivenciar com mais propriedade sua sexualidade, que começa a ficar mais aflorada com a ação dos hormônios que provocam uma série de mudanças no corpo.


Fonte: Revista Crescer