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Vaidade sem pressa

Atualmente a pressão social da "imagem" é muito forte e, cada vez mais, torna-se precoce a vaidade das meninas e dos meninos, por isso os pais devem ficar atentos e tomar cuidado ao que pode ou não ser usado pelos filhos, evitando excessos para preservar a saúde:

- MAQUIAGEM - a partir de 12 anos. Antes disso, só gloss nos lábios (em ocasiões especiais)
- ESMALTE - a partir dos 12 anos. Antes disso, só em ocasiões especiais (retirando no dia seguinte)
- DEPILAÇÃO - a partir dos 12 anos. Antes disso, clareamento com produtos à base de água oxigenada (fazer antes o teste de alergia e manter a pele hidratada)
- DESODORANTE - a partir dos 10 anos. Dar preferência ao produto que não possui perfumação (para evitar irritação ou alergias). Antes disso - se houver odor forte - procurar médico para investigar as causas
- LUZES, CHAPINHA E ESCOVA PROGRESSIVA - a partir dos 14 anos. Antes disso, só escova normal - eventualmente
- PROTETOR SOLAR - a partir dos 6 meses. Produtos exclusivos da linha infantil até os 5 anos - antes dos 6 meses - proteção com roupas e chapeuzinhos
- REPELENTE - a partir dos 2 anos. Cuidado para não passar ao redor dos olhos, testa e mãos antes dos 2 anos - barreiras físicas como:mosqueteiros, cortinas, roupas e repelentes de tomada(esses com distância mínima de 2 metros da criança)

 

Cosméticos e tratamentos estéticos despertam o interesse das meninas cada vez mais cedo. juntem-se à vaidade feminina e masculina, por que não? os produtos indispensáveis, como protetor solar, desodorante e repelente de insetos, e o resultado é uma intimidade de substâncias químicas com as quais crianças e adolescentes terão o primeiro contato.


Para não incorrer em excessos, portanto, é preciso ter cautela antes de liberar a maquiagem, a chapinha e as sessões de depilação: o uso precoce de produtos químicos pode ser danoso a curto e também a longo prazo, causando desde estragos imediatos na pele e nos cabelos até o risco de desenvolver alergias no futuro. Aos pais. cabe a difícil tarefa de ajustar a balança que equilibra a ansiedade da criançada com a preocupação com a saúde dos filhos. Para ajudá-los. VEJA consultou pediatras sobre os primeiros itens da seção de perfumaria e as primeiras tardes no salão de beleza.

MAQUIAGEM
A partir de: 12 anos
O que dizem os médicos:
mesmo na adolescência, quando a pele está mais protegida pela produção das glândulas sebáceas, o uso regular de maquiagem não é recomendado pelos médicos. "A aplicação diária pode obstruir os poros e piorar o quadro de acne, comum nessa fase", diz o pediatra Antonio Carlos Madeira de Arruda, do Departamento de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria. Portanto, devem-se evitar as bases cremosas. E nada de preguiça: antes de dormir, é preciso remover completamente a maquiagem e, em seguida, lavar bem o rosto com um sabonete neutro Antes dos 12 anos... um gloss nos lábios, quando há uma festinha, faz a menina se sentir especial e está de bom tamanho

DESODORANTE
A partir de: 10 anos
O que dizem os médicos:
A produção das glândulas sudoríparas é baixa na infância, por isso o desodorante não oferece benefícios até essa idade - e ainda pode causar urticárias e foliculite. Ou seja, é um ónus sem bónus. Mas o estímulo hormonal da adolescência eleva a produção de suor - e, aí sim, o desodorante pode ser usado diariamente.*Prefira os sem perfume, para reduzir o risco de irritação da pele e de alergias", diz o médico Antonio Carlos Madeira de Arruda.
Antes dos 10 anos... se houver odor forte na infância, um médico deve ser consultado para investigar as causas do problema

REPELENTE
A partir de: 2 anos
O que dizem os médicos:
a baixa concentração de substâncias tóxicas faz dos artigos específicos para crianças os mais seguros. "Evite os produtos dois em um, com fotoproteção e repelente de insetos. pois contêm uma variedade maior de substâncias químicas - sem falar que, por causa da proteção solar, eles acabarão sendo aplicados com mais frequência do que os repelentes comuns", alerta a dermatologista pediátrica Selma Hélène, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Cuidado para não passar o repelente nas áreas ao redor dos olhos e da boca, que são delicadas; nas mãos, que os pequenos teimam em levar à boca; e na testa, já que a transpiração pode levar o repelente para dentro dos olhinhos. E não se esqueça de lambuzar também a sola dos pés
Antes dos 2 anos... a proteção fica a cargo de barreiras físicas, como roupas, cortinas e mosquiteiros, e de repelentes de tomada. "Nesse último caso. a criança deve ficar a uma distância mínima de 2 metros do produto recomenda Selma Hélène.

PROTETOR SOLAR
A partir de: 6 meses
O que dizem os médicos:
os pediatras recomendam o uso exclusivo de produtos da linha infantil nos primeiros cinco anos de vida. Isso porque os protetores desenvolvidos para a criançada contêm menos agentes químicos e são elaborados a partir de substâncias com menor potencial alergênico Antes dos 6 meses... a proteção contra os raios ultravioleta deve ser mecânica - leia-se, com roupas e chapeuzinhos

DEPILAÇÃO
A partir de: 12 anos
O que dizem os médicos:
nada de pressa para arrancar os fios, pois os puxões podem fortalecê-los e transformar uma leve penugem em pelos mais grossos e visíveis. Quando o momento do doloroso puxa-puxa se tornar inadiável, prefira ceras naturais, como a de mel. para diminuir o risco de irritações. "A depilação com laser nunca deve ser feita antes dos 14 anos, pois não há estudos que comprovem a segurança do método em crianças", diz a pediatra Regina Maria Rodrigues, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Antes dos 12 anos... para disfarçar os pelinhos. os médicos recomendam o clareamento com produtos à base de água oxigenada - sem se esquecer, claro, de fazer antes o teste de alergia em uma área pequena e de manter a pele bem hidratada.

ESMALTE
A partir de: 12 anos
O que dizem os médicos:
muito mais finas e delicadas que as dos adultos, as unhas das crianças podem se tornar frágeis e quebradiças com o uso frequente de esmaltes. No início da adolescência, o ideal é evitar os esmaltes coloridos. "Eles contêm grande concentração de corante, que pode causar crises de rinite alérgica, enfraquecimento da unha a longo prazo e urticárias na face, já que a pele mais fina dessa região absorve as substâncias quando as mãos tocam o rosto", explica a pediatra Regina Rodrigues Antes dos 12 anos... assim como no caso do gloss labial, uma camadinha de esmalte numa ocasião especial satisfaz a vaidade e não chega a prejudicar. Mas remova-o no dia seguinte

LUZES, CHAPINHA E ESCOVA PROGRESSIVA
A partir de: 14 anos
O que dizem os médicos:
sem a proteção natural da pele que vem com a adolescência, quando os hormônios estimulam a produção das glândulas sebáceas, o calor excessivo da chapinha e os produtos químicos são extremamente prejudiciais ao couro cabeludo e aos fios. Após esse período, procedimentos estéticos nos cabelos devem ser realizados por profissionais qualificados, com habilidade para manipular os produtos apenas nos fios, sem deixar que eles toquem o couro cabeludo."Essa área é muito vascularizada, portanto a absorção de substâncias químicas é muito maior", explica Regina Maria Rodrigues Antes dos 14 anos... uma escova normal de vez em quando, com secador a 30 centímetros dos fios, ajuda a aplacar a vontade de arrumar os cabelos. Quanto às tinturas, porém, só há uma solução: resistir e dizer não...

HIGIENE BUCAL
A rotina de cuidados diários começa por volta de 6 meses, quando nascem os primeiros dentinhos. O odontopediatra Fausto Medeiros Mendes, professor da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, ensina como deixar a boquinha dos pequenos livre de cáries e placa bacteriana:

ESCOVA
As escovas infantis, macias ou extramacias, devem ser usadas para limpar os dentes uma ou duas vezes por dia, assim que surgem os primeiros dentinhos. "É essencial escovar os dentes pelo menos antes de dormir, pois a salivação diminui durante a noite. Como a saliva ajuda a neutralizar os ácidos produzidos pelas bactérias, responsáveis pela cárie, à noite esses ácidos vão atuar de forma mais agressiva", explica Fausto Mendes.

CREME DENTAL
A pasta de dentes com flúor - acima de 1000 ppm - entra na rotina de higiene bucal desde a primeira escovação. Embora o excesso de flúor no organismo provoque a fluorose, que produz manchas brancas ou castanhas nos dentes, ele é indispensável na prevenção da cárie. "O impacto da cárie na qualidade de vida da criança é maior do que as manchinhas, por isso o uso do creme dental com flúor é tão importante", diz o odontopediatra. A quantidade mínima de pasta, menor que um grão de arroz, é suficiente e evita que a criança ingira o produto

FIO OU FITA
O uso dos fios ou fitas dentais só é recomendado a partir de 4 ou 5 anos, quando os dentes começam a ficar mais juntinhos. Antes, a tarefa de limpar entre os dentes fica a cargo das cerdas da escova.

ANTISSÉPTICO BUCAL
Como o produto é líquido e fácil de ingerir, não é indicado para crianças. Os primeiros gargarejos - caso o filho observe os pais e insista em experimentar
-nunca devem acontecer antes dos 6 anos, quando a criança passa a controlar melhor a deglutição. Para uso eventual após essa idade, prefira os produtos sem álcool e com flúor na composição.

CLAREAMENTO
Os dentistas não recomendam o clareamento dental até a adolescência, por volta de 15 anos. Antes dessa idade, o esmalte - a camada externa do dente é mais poroso e, portanto, mais permeável. Ou seja, as substâncias usadas nos processos de clareamento, como peróxido de carbamida e peróxido de hidrogénio, penetram até a câmara pulpar, onde fica o nervo, provocando maior sensibilidade.

Cuidado com as dietas alternativas
Crianças induzidas a seguir dietas restritivas, do vegetarianismo mais flexível, que corta do cardápio apenas a carne vermelha, ao radical crudivorismo, que só permite o consumo de vegetais crus, podem sofrer carências de nutrientes indispensáveis para um desenvolvimento saudável. "Esses nutrientes são obtidos por meio de uma dieta balanceada, que inclui frutas, cereais, leguminosas, hortaliças e fontes de proteína animal, como carnes e ovos", explica a nutricionista Mónica Venturineli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Quanto mais limitada a alimentação, maiores são os riscos à saúde da criança. Afinal, as necessidades proteicas, vitamínicas e minerais dos pequenos são maiores que as dos adultos. "Durante a fase de crescimento, cálcio, ferro, zinco, magnésio e vitaminas do complexo B são essenciais para o desenvolvimento físico e das capacidades intelectual e cognitiva da criança", explica o endocrinologista e nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia. Somente na idade adulta - e com orientação médica - os alimentos de origem animal poderão ser substituídos sem comprometer a saúde

Revista Veja, Edição 2.298, dezembro de 2012