ALIMENTAÇÃO

O crescimento e desenvolvimento do adolescente dependem do seu estado nutricional, que pode ser influenciado pela família, escola, trabalho e sociedade. O estirão puberal acarreta considerável aumento das necessidades energéticas e de nutrientes, sendo que 20% da estatura e 50% do peso do adulto são adquiridos durante a puberdade. As necessidades nutricionais variam com o sexo e idade, estágios da maturação sexual, atividades esportivas, doenças crônicas, gestação, distúrbios alimentares e em casos de uso e abuso de álcool e drogas. Devem fazer parte da dieta alimentos ricos em proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e sais minerais, especialmente o ferro, cálcio, zinco e vitaminas A, C, D, E, complexo B e ácido fólico.


A adoção de hábitos alimentares inadequados adquiridos por influência da mídia, do grupo social ou do próprio adolescente, como dieta vegetariana, fast food, não tomar café da manhã, substituir as principais refeições por lanches, refrigerantes, guloseimas etc podem levar a carências nutricionais com consequente prejuízo para a saúde do adolescente, possibilitando o aparecimento de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, osteoporose e aumento do colesterol e triglicérides (dislipidemia) e da pressão arterial.


É importante ressaltar que a orientação nutricional do adolescente não pode ser imposta nem rígida.




Obesidade

A obesidade é uma doença crônica que dobrou nos últimos 30 anos, afetando 1/3 da população em países desenvolvidos, tornando-se importante problema de saúde pública. Na adolescência geralmente está relacionada a fatores genéticos, hábitos alimentares inadequados, falta de atividade física e influência dos meios de comunicação como internet, TV e videogames.


As principais complicações dessa doença na adolescência incluem:

- problemas dermatológicos (estrias, furunculose, dermatofitoses)
- alterações posturais, articulares e sobrecarga no aparelho locomotor
- pouca agilidade e dificuldades nos esportes
- aumento da pressão arterial
- estímulo à puberdade precoce
- problemas psicossociais (baixa autoestima, isolamento social, depressão e insatisfação com a imagem corporal)


A obesidade na adolescência aumenta a mortalidade na idade adulta, podendo ter como consequências: síndrome metabólica (diabetes, hipertensão arterial e aumento do colesterol e triglicérides), doenças cardiovasculares, infarto, problemas ortopédicos e câncer.



Imagem Corporal

Na adolescência, as transformações corporais decorrentes da puberdade, podem gerar ansiedade, insegurança e sentimento de inadequação com sua nova imagem corporal.


A imagem do próprio corpo é influenciada por experiências individuais, familiares e socioculturais. Na adolescência a percepção da imagem corporal, a insatisfação com o próprio corpo, a preocupação excessiva com peso e a forma do corpo são considerados fatores desencadeantes tanto para transtornos alimentares quanto para obesidade.


Transtornos Alimentares

Transtornos alimentares são doenças complexas caracterizadas principalmente pela preocupação excessiva com peso e formato do corpo que afetam principalmente adolescentes e adultos jovens, com maior incidência no sexo feminino. Os transtornos mais frequentes são anorexia nervosa e bulimia.


Anorexia nervosa


É o mais grave dos transtornos alimentares com taxa de mortalidade de 10%. Acomete mais jovens do sexo feminino, especialmente entre 12 e 20 anos. Caracteriza-se pela distorção da imagem corporal (se sente gorda mesmo sendo normal ou magra) e um medo excessivo de engordar. Apresentam alterações do ciclo menstrual, perda de peso intencional através de dietas rígidas e restritivas, vômitos induzidos, uso de laxantes, diuréticos, jejuns prolongados e exercícios físicos exagerados, podendo desencadear quadros graves de desnutrição, anemias, distúrbios cardiorespiratórios, queda de cabelo, pele seca, irritabilidade, fadiga, depressão entre outros.


Bulimia


Caracteriza-se mais pela insatisfação com o corpo do que com a distorção da imagem corporal, o peso varia de 10% do peso ideal até a obesidade, mas geralmente o peso é normal. Apresentam impulsos recorrentes de comer exageradamente com sensação de perda de controle (episódios bulímicos) seguidos de sentimentos de culpa, vergonha e desejo de autopunição. A preocupação excessiva com o corpo e o peso desencadeia comportamentos compensatórios como indução de vômitos, uso de medicamentos (diuréticos, laxantes, inibidores de apetite), dietas restritivas e exercícios físicos excessivos, podendo levar a desidratação, úlceras, anemias, irregularidades menstruais, erosões dos dentes, pneumonias por aspiração, perda de potássio e alterações cardiovasculares e isolamento social progressivo.


O tratamento desses transtornos geralmente é longo, difícil e necessita de uma equipe multidisciplinar: hebiatra, psiquiatra, psicólogo, endocrinologista, nutricionista, enfermeiro, terapeuta ocupacional e dentista.