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Hebiatria e os desafios da Adolescência

Talvez seja a adolescência o período da vida em que há maior indagação sobre si mesmo, acompanhada por estado de tensão indicadora de crise, quando o ser humano passa por mudanças biopsicossociais tão intensas e significativas. Ao se deparar com questões existenciais, busca um lugar social e o exercício de sua sexualidade, sofre influência sociocultural e familiar que modela seu comportamento. Segundo a Organização Mundial da Saúde  (OMS), a adolescência compreende a faixa etária dos 10 aos 20 anos, com tendência atual de se prolongar por mais alguns anos (geração canguru).

 

Puberdade, componente orgânico da adolescência, é um fenômeno biológico e universal inerente à espécie, variando apenas o ritmo de indivíduo para indivíduo, caracterizada pelo crescimento e amadurecimento físico e desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, tornando o adolescente sexualmente desenvolvido e reprodutivo. Nas meninas, inicia-se entre 8 e 13 anos e nos meninos entre 9  e 14 anos. Essas mudanças físicas podem gerar ansiedade e baixa autoestima do adolescente, decorrentes entre outros fatores, do medo de não conseguir, fisicamente, atingir o padrão socialmente imposto e aceito.

 

Um dos principais objetivos da adolescência é a autodefinição: quem sou eu?
O adolescente é um indivíduo com características e singularidades próprias desse período evolutivo, em constante crescimento e desenvolvimento, buscando sua identidade e autonomia. Para isso ele precisa elaborar três lutos fundamentais: 1- perda do corpo infantil; 2- perda do papel e identidade infantis e, 3- perda dos pais da infância. Esses lutos levam o adolescente a se comportar por um longo período de maneira incoerente e imprevisível, rebelde, impulsivo, questionador, opositor, vulnerável, idealista, instável, imitando e se identificando com outros, na busca incessante da própria identidade. Ambos os sexos necessitam pertencer e se sentirem aceitos em um grupo de iguais e as desavenças com os pais como forma de autoafirmação. Três tarefas centrais são parte integrante do seu desenvolvimento social saudável: estabelecer relacionamentos significativos, aceitação e pertencimento a grupos sociais e estabelecer intimidade interpessoal. Os pares têm papel relevante nesse processo, porque uma relação positiva é importante para o bem estar psicológico e ajustamento social, ao passo que a rejeição está ligada a problemas graves, como a delinqüência, abuso de drogas e depressão. Trata-se de uma fase de vulnerabilidade e curiosidade que pode levar a comportamentos de risco pelo desejo de experimentar tudo que se apresenta como novo.

 

O pensamento abstrato ainda incipiente faz os jovens se sentirem onipotentes, expondo-se a perigos sem prever consequências. Nessa fase os adolescentes buscam a identidade sexual, através da experimentação e variabilidade de parceiros e as práticas sexuais são diversas e heterogêneas, com envolvimento genital precoce, podendo resultar em gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis (DST), sendo a família um importante fator de proteção na vida sexual do adolescente, com a transmissão de valores e atitudes.

 

As mudanças físicas, emocionais e psicológicas que ocorrem na adolescência alertam os jovens a ter sérias dúvidas sobre seus corpos, relacionamentos e saúde e os pais muitas vezes sentem-se inseguros e incapazes de lidar com seu “novo filho adolescente”, necessitam, assim, da  ajuda de um profissional. O Hebiatra é um médico especializado no atendimento ao adolescente, acompanhando-o durante  todo o  crescimento e desenvolvimento físico com orientação alimentar, prática de esportes, vacinação, orientação sexual e prevenção; além de acolher e orientar os pais a entender e participar ativamente da vida do adolescente, para que ele tenha um desenvolvimento saudável e feliz.


Dra. Maria Cecília Nigro Batistela
Pediatra – Hebiatra -Sexóloga