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Alimentação balanceada para as crianças é a dica nessas férias

É tempo de férias e, com isso, as crianças aproveitam para cometer todo tipo de “infração” alimentar, com a conivência dos pais. No entanto, os nutricionistas orientam a não perder a linha neste período. É preciso lembrar que as crianças de hoje serão os adultos de amanhã. Portanto, como se trata de formar bons hábitos alimentares, não há razão para se entregar aos excessos, mesmo nas férias.

 

Em São Paulo, a Secretaria de Saúde criou o projeto “Meu Pratinho Saudável”, no final do ano passado, com o objetivo de educar sobre alimentação na idade escolar, para que as crianças cresçam com hábitos alimentares corretos, refletindo em uma vida adulta mais saudável. E dentre as atividades estimuladas está praticar o jogo do “Meu Pratinho Saudável” no tablet - de maneira lúdica, a criança deve montar uma refeição, escolhendo seus alimentos preferidos, e recebe uma nota conforme a porcentagem de nutrientes que atingiu.

 

Para a diretora executiva do programa, Elisabete Almeida, ao fazer que a criança pratique a alimentação adequada desde cedo, faz com que o hábito saudável se estabeleça pelo resto da vida. “Além disso, as crianças poderão ser multiplicadoras desses ensinamentos e podem repassar o que aprendem aos pais e amigos”, diz.

 

Em Rio Preto, um outro projeto estimula portadores de diabetes a compreender melhor a doença e a se alimentar corretamente através do programa Mapas de Conversação. Idealizado pela Unimed, o programa educativo se vale de figuras e imagens que permitem ao diabético compreender como a doença age dentro do organismo e quais atitudes devem ser tomadas para o controle da enfermidade.

 

Ao todo são quatro mapas: como o corpo e o diabetes funcionam; alimentação saudável e mantendo-se ativo; opções de tratamento com medicamentos e monitoramento da glicose no sangue, e atingindo as metas com a insulina. Essa interatividade proporciona ao paciente melhor compreensão da doença e os cuidados que deve tomar em relação à alimentação, atividade física e tratamentos medicamentosos.

 

Estirão requer atenção

A pediatra Maria Cecília Nigro Batistela, especialista em adolescentes (hebiatra), de Rio Preto, observa que o crescimento e desenvolvimento do adolescente dependem do seu estado nutricional, que sofre forte influência de fatores ambientais, como a família, escola, trabalho e sociedade.

 

O estirão puberal acarreta um considerável aumento das necessidades energéticas e de nutrientes, sendo que 20% da estatura e 50% do peso do adulto são adquiridos durante a puberdade. As necessidades nutricionais variam com o sexo e faixa etária, estágios da maturação sexual, atividades esportivas, doenças crônicas, gestação, distúrbios alimentares e comportamentais, como uso e abuso de álcool e drogas.

 

A médica observa que é importante que faça parte da dieta de crianças e adolescentes, por exemplo, as proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e sais minerais, especialmente o ferro, cálcio, zinco e vitaminas D, A, C, E, ácido fólico e complexo B. ”A adoção de modismos alimentares inadequados adquiridos pela influência da mídia, do grupo social ou do próprio adolescente, como dieta vegetariana, ‘fast food’, refrigerantes podem levar a carências nutricionais com consequente prejuízo para a saúde desse jovem”, afirma.

 

Flexibilidade

Maria Cecília, no entanto, reconhece que a orientação dietética do adolescente não pode ser imposta nem rígida. Deve haver flexibilidade e, fundamentalmente, ser discutida com ele, orientando-o dos riscos da dieta inadequada e suplementando as necessidades quando necessárias. Daí a sugestão da nutricionista Inty Davidson vir a calhar. Para ela, o importante é estabelecer uma rotina, mesmo que seja nas férias.


“Aproveite a presença da criança em casa para envolvê-la no preparo dos alimentos. Você pode incentivá-la a preparar um lanche saudável com queijo e salada em formato de carinha, por exemplo. Também é possível preparar um bolo integral (veja a dica abaixo) na caneca, uma receita saudável, prática, que pode ser feita por crianças, porque não usa batedeira nem forno (é feito no microondas) e tem uma porção bem menor, que evita comer em excesso. Este é apenas um exemplo, mas diversos outros bolos doces e salgados podem ser feitos desta maneira (na caneca e no microondas)”, diz.

 

Férias sem ‘farra’

Segundo a nutricionista Inty Davidson, de São Paulo, é importante habituar a criança a não ver férias e feriados como momento de “farra” alimentar, em que se esquece tudo o que se deve comer no dia a dia para comer só “bobagens”. Jamais esquecer que se está formando o hábito de um futuro adulto - e a maioria dos adultos tem dificuldades em manter não só o peso, mas também a saúde em dia.

 

Uma pesquisa realizada com 2.179 homens e mulheres brasileiros, que integra o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan) 2012-2015, elaborado pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), mostrou que entre os obesos é muito mais comum ter fins de semana regados a churrasco, cerveja e refrigerante. A pesquisa também mostra que 50% dos brasileiros têm a fritura como base de preparo da sua alimentação.

 

”É claro que ninguém deve ser radical e só deixar a criança comer arroz, feijão, salada e bife grelhado, mas, como mostra o próprio símbolo da nutrição, que é a pirâmide alimentar, o importante é equilibrar. Não esquecer a dieta adequada, mas deixar de vez em quando a criança comer algo ‘diferente’, mesmo que não seja tão saudável assim. A batata frita não está proibida, mas ela não precisa estar no prato todos os dias ou revezando com bife à milanesa”, analisa Davidson.

Fonte:Diário Web